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Como tudo (sempre) começa

Ter colmeias não fazia parte dos planos desta família. Ainda que o Coronel fosse um excelente protetor das abelhas, a verdade é que ser tratador de abelhas não era objetivo que tivesse ficado estabelecido.

Não tínhamos experiência nem antepassados próximos produtores de mel ou outros quaisquer produtos apícolas. Mas uma visita a um apiário de um primo lá no Candam fez nascer alguma coisa.

Proporcionou-se o Candam ser um lugal ideal. Com espaço, flora típica da Serra da Estrela, umas leiras que não estavam ocupadas com nada mais que mato cortado de ora em vez e algumas árvores que conquistaram lugar pela teimosia em vencer os elementos.

Preparámos tudo e apresentámos o espaço a três enxames iniciais. Gostaram de lá estar! Mantiveram-se fortes até ao final do verão de 2017. Com este incêndio perdemos o nosso “Número 1”. O enxame mais forte e que, depois da cresta de agosto íamos querer acompanhar para que pudesse aguentar o inverno. Ardeu por completo…

Mas continuámos. Alimentámos durante meses a fio enquanto o tom sépia não desapareeu dos montes. Desdobrámos e capturámos alguns no início da primavera seguinte.

Altos e baixos. Alegrias e dissabores fazem parte da vida de apicultor, mas temos aprendido imenso com estes insetos fantásticos e tem sido maravilhoso trabalhar para tantas abelhas.

Querem provar o Mel do Candam?

Iniciação à apicultura

Quais os materiais necessários para o apicultor?

O mel é um tesouro da natureza, e criar o seu próprio mel é uma experiência gratificante e sustentável. Se sempre se sentiu atraído pelo mundo das abelhas, este é o seu guia para começar a sua jornada na apicultura em Portugal.

Utensílios essenciais para o apicultor iniciante:

O mínimo essencial é sempre muito subjetivo e na apicultura, como em todas as outras atividades muito antigas, as opiniões podem ser sempre diferentes destas. No entanto, ainda que não limitados a estes utensílios e materiais que listamos em baixo, esta é uma boa lista para começar!

Ao longo do tempo temos percebido a qualidade que alguns materiais de determinados produtores e lojas e são esses que iremos sempre recomendar, nomeadamente a MACMEL (que tem loja online a funcionar muito bem, caso não estejam por perto de Macedo de Cavaleiros!); a Casa do Apicultor, em Arganil – de onde provêm a maior parte das nossas colmeias e claro, a Lousãmel.

  • Colmeia: O lar das suas abelhas. Opte por modelos Lusitana, ou reversível. Também existe o formato internacional Langstroth, um pouco maior. Todos os modelos são muito comuns em Portugal e permitem um correto manuseamento da colmeia, com inspeções regulares que aconselhamos!
  • Fato de apicultor: A sua segurança em primeiro lugar. Um fato completo com máscara é essencial. Existem outras opções de proteção, mas a escolha por uma ou outra opção depende também do tibo de abelhas que têm. As nossas são muito defensivas, pelo que recomendaremos o uso de fato completo e, se possível, ventilado para que não sofra muito com o calor nos dias mais quentes.
  • Fumigador: Ajuda a acalmar as abelhas durante a inspeção da colmeia. A sua utilização em meios rurais e florestais exige muitos cuidados e é mesmo proibida a sua utilização durante certas alturas do ano em Portugal.
  • Alavanca de apicultor ou Ferro de apicultor: Uma ferramenta versátil para manusear os quadros da colmeia. É extremamente útil!
  • Escova de abelhas: Use-a para remover suavemente as abelhas dos quadros.
  • Extrator de mel: Para colher o mel de forma eficiente e limpa. Adquirir um extrator pode não ser essencial nos primeiros tempos e poderá sempre recorrer a apicultores da zona ou mesmo associações no momento da sua cresta. Mas pode também pensar na aquisição de um.

Onde aprender apicultura em Portugal:

A nossa formação começou na Lousãmel com um curso de iniciação à Apicultura e é, sem dúvida, algo que recomendamos: façam alguma formação básica! Nós não vimos de famílias de apicultores, ainda que tenhamos tido apicultores na família há uns anos!

Poder aprender o básico é mesmo importante para se perceber se é mesmo com as abelhas que quer trabalhar e porquê? Qual a importância a longo prazo que vão dar a este projecto? Entre outras questões que devem abordar logo no início. Ainda assim, quisemos dar algumas ideias de escolas e entidades formadoras que podem ser boas opções mediante a vossa localização e se estão à procura de uma formação mais intensiva ou de alguns anos.

A Coisas d’Abelha, pelo Telmo Cabral, foi a melhor formação que tivémos – na vertende de formação intensiva! Fizemos um ano inteiro de formação com o Telmo e tivemos oportinidade de passar por todos os temas relacionados com o trato, manuseamento, desdobramentos, produtos da colmeia, doenças e tratamentos, etc! Claro que a prática vem com o trabalho de campo, mas esta formação foi sem dúvida muito completa!

  • Escolas Profissionais Agrícolas: Oferecem cursos de apicultura com componentes teóricas e práticas.
  • Associações de Apicultores: Contacte a Associação de Apicultores da sua região. A maioria tem cursos e workshops para iniciantes.
  • Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP): A FNAP representa os apicultores portugueses e tem informações sobre cursos e eventos.

Dicas importantes:

  • Comece com poucas colmeias e expanda gradualmente.
  • Invista em equipamento de qualidade para garantir a sua segurança e o bem-estar das abelhas.
  • Procure um mentor experiente para o orientar nos primeiros passos. Nós
  • Participe em workshops e formações para aprimorar os seus conhecimentos.
  • Respeite as abelhas e o seu papel fundamental no ecossistema.

A apicultura é uma atividade fascinante que exige dedicação e respeito pela natureza. Com os recursos certos e a paixão pelas abelhas, poderá desfrutar do seu próprio mel e contribuir para a preservação destes insetos tão importantes.

Recursos adicionais:

Como é produzido o Casanova Mel?


A produção do mel Casanova Mel é feita por abelhas melíferas que vivem na zona da reserva natural da Serra da Estrela. O primeiro passo das abelhas da Casanova Mel no seu processo de produção é coletar o néctar das flores e depois levá-lo para as colmeias.

As abelhas obreiras, também chamadas de campeiras ou trabalhadoras, saem da colmeia e visitam as flores para coletar o néctar, armazenando-o em suas bolsas de néctar até regressarem à colmeia.

Já na colmeia, as abelhas obreiras transferem o néctar para as abelhas mais jovens, que o vão manipular com suas enzimas e boca, transformando-o em mel. Este produto vai sendo mastigado por várias abelhas até ter a quantidade de humidade necessária e poder ficar armazenado nos pequenos alvéolos, chamados opérculos.


Estes óperculos são pequenos orifícios perfeitos hexagonais construídos pelas abelhas com cera e é aqui dentro que o mel vai ser mantido.

Quando o mel estiver com a percentagem de sejada de humidade, as abelhas irão selar as células com uma camada de cera para proteger o mel do ar e manter sua pureza.

Este mel será consumido pelas abelhas em caso de necessidade. O nosso Mel é uma importante fonte de alimento para as abelhas e é usado para alimentar as larvas e para ajudar a sustentar a colónia durante períodos de escassez de néctar.

O produto que as abelhas não consumirem e que ficar guardado nos opérculos, é mel que fica em excesso na colmeia! Este mel será mais tarde colhido pelo apicultor no momento certo da cresta do mel.

Na Casanova Mel, a cresta acontece habitualmente no final do verão, momento em que conseguimos extraír o nosso produto com todas as propriedades intactas do mel e com um aroma de mel de montanha que é único!

Quando o mel é colhido pelos apicultores, é geralmente filtrado para remover partículas de cera e outros resíduos, mas é mantido o mais próximo possível de sua forma natural para preservar suas propriedades nutricionais e sabor.

Abelha ibérica

A Apis mellifera iberiensis é uma subespécie de abelha europeia (Apis mellifera) nativa da Península Ibérica. As características da Apis mellifera iberiensis permitem distingui-la facilmente. Veja neste artigo as principais caracteristicas da nossa abelha ibérica.

  • Tamanho: É uma abelha de tamanho médio, com comprimentos corporais variando entre 12 e 17 mm.
  • Cor: A cor é escura, com uma combinação de preto e marrom.
  • Comportamento: A Apis mellifera iberiensis é uma abelha social, vivendo em colônias organizadas com uma rainha, zangões e trabalhadoras.
  • Flores preferidas: É conhecida por sua habilidade em colher néctar de flores de eucalipto, rosas e lavanda.
  • Produção de mel: É uma boa produtora de mel, com uma produção média de cerca de 10 kg de mel por colônia.
  • Adaptabilidade: A Apis mellifera iberiensis é uma subespécie adaptável e resistente, capaz de sobreviver e prosperar em diferentes condições climáticas e ambientais.
  • Importância ecológica: Como importante polinizador, a Apis mellifera iberiensis desempenha um papel crucial na manutenção da biodiversidade e na produção de alimentos.

Os benefícios do mel

O mel puro possui muitos benefícios para a saúde, incluindo:

  1. Antioxidantes: O mel contém antioxidantes que ajudam a proteger as células do corpo contra o dano celular.
  2. Propriedades antibacterianas: O mel tem propriedades antibacterianas que podem ajudar a combater infecções.
  3. Ação anti-inflamatória: O mel também pode ajudar a reduzir a inflamação no corpo.
  4. Energia: O mel é uma fonte natural de glicose e frutose, que fornecem energia rápida para o corpo.
  5. Alívio da tosse: O mel é conhecido por ajudar a aliviar a tosse e a irritação na garganta.
  6. Sono: O mel pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, já que ajuda a equilibrar os níveis de açúcar no sangue.

Em geral, o mel puro é uma ótima opção para aqueles que procuram uma fonte natural de energia e nutrientes. No entanto, é importante lembrar que o mel é altamente calórico, então é necessário consumi-lo com moderação.

Mel do Candam

Onde? Como é que isso se diz mesmo?

O Candam, como lugar, terá cerca de 200 anos. No início foi um local encontrado por pastores que procuravam mais pasto para o gado.

Ali estabeleceram-se os meus antepassados. Formou-se um conjunto de casas formado por um forno comunitário, um alambique, uma oficina de carpintaria, lojas paras os animais (e para aquecerem as casas por cima), e uma casa de família.

O Candam de hoje não tem já as leiras todas cultivadas e o pinhal foi conquistando muito (talvez demasiado) espaço. Em 2017, tal como em 1987, o pinhal foi varrido por um grande fogo, mas milagrosamente as casas permaneceram intactas. Continua a ser o local de uma família que continua a crescer e a acrescenar alegrias. Continua a ser um espaço cuidado e onde todos querem ir – e de onde muitos não querem sair.

Desde miúda as férias de família com os meus pais eram passadas neste lugar. Meses inteiros animados pelas tardes no Rio Alvôco e por um contato constante com o mundo natural.

Agora, ainda assim, as leiras estão limpas e os muros de pedra totalmente visíveis. Há flores o ano todo, água fresca, e continua a ser um lugar maravilhoso para humanos e abelhas!

O Mel do Candam é um característico mel escuro, com a pureza da serra bem trabalhada pelas abelhas. Urze, carqueija, tojo, estevinha, medronho, castanheiro e muitas outras flores permitem um sabor e aroma inesquecíveis!

Vamos provar?

Mel do Casal

A nossa primeira captura de um enxame em Lisboa correu estrada até à zona de Torres Vedras. Uma experiência e pêras para quem não tinha experiência quase nenhuma!

O enxame decidiu fazer casa num respiradouro de uma antiga chaminé numa vivenda em Algés onde está sediado o Centro Português de Atividades Subaquáticas (CPAS) e que aqui em casa bem conhecemos. Mas era arriscada a convivência e a proximidade com casas pelo que tomámos como certo o desafio de retirar de lá o enxame.

Começámos os preparativos uns dias antes com o aluguer de uma carrinha de caixa fechada já que o enxame iria passear de Lisboa até bem perto de Torres e não queríamos surpresas. No dia, um escadote alto, um arnês de segurança, lanternas, material necessário e…um aspirador de abelhas (que muito jeito já nos tem dado!)

Todo o processo levou o seu tempo, mais ainda sendo que não tinhamos memória anterior! Muito mel escorrido a dificultar a tarefa mas ao fim de algumas horas lá conseguimos ter o enxame na caixa. Era um enxame grande!

Já a noite ia longa e a viagem terminou em Torres, de madrugada, com as primeiras residentes do local a ocupar o espaço. À volta há árvores de fruto (pomares), muitas flores, eucaliptos. Ficariam bem.

Ficáram numa caixa pintada – foi a primeira e última! – e um par de dias depois voltámos para avaliar o estado.

Foi a nossa primeira colmeia neste apiário! A número 1 de sempre nesta morada. A caixa já está mais bonita – de madeira tratada com óleo de linhaça, como deve ser! e fica bem mais bonita.

Entretanto também este apiário conquistou a sua própria dinâmica como se todo o apiário fosse um só corpo. Está lá uma meia dúzia de caixas. Já foram mais, mas havemos de recontar esta história.

captura_chegada da colmeia ao Casal
A nossa primeira colmeia modelo Langstrogh